

01/04/2026 às 15:09
Quando a Máquina Falha, a Vida Desperta
Vivemos em um tempo em que tudo cabe na palma da mão — e, paradoxalmente, nada mais cabe no coração com a mesma intensidade.
Vivemos em um tempo em que tudo cabe na palma da mão — e, paradoxalmente, nada mais cabe no coração com a mesma intensidade.
Meu celular foi hackeado.
Uma frase simples, mas que carrega um universo de vulnerabilidade, impotência e silêncio. Não foi apenas um aparelho invadido — foi a interrupção de uma rotina, de uma comunicação, de uma presença digital que, sem perceber, havia se tornado extensão da própria vida.
E então veio o vazio.
Nenhuma operadora resolveu. Nenhuma grande empresa respondeu. Nenhum sistema automatizado foi capaz de compreender a urgência humana por trás de um problema técnico.
Quem resolveu foi gente.
Foi um homem atento, sensível, humano — que, no meio de um atendimento comum, reconheceu não apenas um nome, mas uma história. E foi através dele que cheguei a outro profissional, alguém que não aparece na mídia, que não recebe aplausos, mas que sustenta, silenciosamente, a segurança de muitos.
Aqui registro, com gratidão profunda, o nome de Rodrigo César Viana, analista de sistemas há cinco anos, que enfrentou, com paciência e competência, dias de luta contra uma invasão digital que poderia ter causado danos ainda maiores.
Ele não apenas recuperou um acesso.
Ele restaurou uma ponte.
E, mais do que isso, me fez refletir.
A ilusão da conexão
Foram dias desconectada.
E foi nesse silêncio que ouvi o que o barulho constante das notificações não permite escutar: a realidade.
Ninguém sentiu minha falta.
Exceto uma.
Minha sobrinha que reside no Rio de Janeiro - Priscila.
Ela insistiu. Escreveu uma vez. Duas. Três. E, diante do silêncio, fez o que poucos fazem: se importou de verdade. Procurou meu filho. Imaginou o pior. Sentiu.
E ali, entre a ausência digital e a presença afetiva, compreendi algo que me atravessou profundamente:
Estamos conectados com o mundo…
e desconectados das pessoas.
Vivemos em bolhas. Pequenos mundos onde tudo gira em torno de nossas urgências, nossos interesses, nossas distrações. Não há tempo para perceber o outro. Não há sensibilidade para notar a ausência.
Somos, muitas vezes, apenas mais um número.
O perigo invisível
Essa experiência me revelou algo ainda mais grave.
Se, em uma emergência real, eu precisasse de ajuda, eu não saberia sequer os números de telefone dos meus próprios filhos.
Dependemos tanto da máquina, que desaprendemos a viver sem ela.
E isso não é evolução.
É fragilidade.
Uma lição além da tecnologia
Costumo dizer — e hoje reafirmo com ainda mais convicção:
Os problemas da mente não podem ser resolvidos na própria mente.
Porque, quando nos identificamos apenas com ela, ampliamos o problema, criamos cenários, alimentamos medos.
Mas quando paramos… respiramos… e compreendemos que somos maiores do que aquilo que nos acontece, algo muda.
E foi exatamente isso que vivi.
Perdi provas. Repeti etapas. Tive prejuízos.
Mas ganhei consciência.
Despertei para o fato de que estava vivendo no automático — dentro de uma engrenagem onde produzir, responder e aparecer se tornaram mais importantes do que sentir, perceber e existir.
⸻
Um novo ciclo
Talvez não tenha sido apenas um ataque.
Talvez tenha sido um chamado.
Um convite à reconstrução.
E foi nesse cenário que algo simbólico aconteceu: o mesmo profissional que me ajudou a recuperar meu acesso, ao pesquisar sobre mim, me fez uma pergunta simples — e transformadora:
“Por que a senhora ainda não tem o seu próprio blog?”
E ali nasceu um novo ciclo.
Um espaço que não depende de algoritmos, nem de plataformas instáveis, mas da essência daquilo que nunca pode ser hackeado: a palavra.
⸻
Reflexão final
A máquina é útil.
Mas não é suficiente.
A conexão digital é rápida.
Mas a conexão humana é insubstituível.
E a vida…
a vida não pode ser vivida dentro de uma tela.
Que possamos valorizar mais as pessoas que estão nos bastidores.
Que possamos sair das bolhas que nos aprisionam.
E, sobretudo, que possamos lembrar que existir é mais do que estar online.
“Quando tudo se desconecta, é a vida que nos reconecta ao que realmente importa.”
Tania Castelliano

ACCAL Litorânea inicia novo ciclo com posse da diretoria 2025–2027
A Academia Cabedelense de Ciências, Artes e Letras (ACCAL) inicia uma nova fase em sua trajetória. A presidente fundadora, Tania Castelliano, anunciou oficialmente a composição da nova diretoria que estará à frente da instituição durante o biênio 2025–2027.
A cerimônia de posse está agendada para o dia 5 de agosto de 2025, em local e horário já definidos, e reunirá membros da Academia, autoridades e convidados especiais.
Com a nova gestão, a ACCAL reforça seu compromisso com a valorização da arte, da cultura e da ciência em Cabedelo, ampliando projetos voltados à educação, à integração social e ao fortalecimento das expressões culturais locais.
Segundo Tania Castelliano, “a ACCAL Litorânea vive um período de crescimento e consolidação. Este novo ciclo representa a continuidade de uma jornada dedicada à difusão do conhecimento, da literatura e da arte. Convido cada integrante da diretoria a atuar com dedicação, entusiasmo e espírito de colaboração”.
O evento marcará não apenas a posse dos novos dirigentes, mas também a renovação do compromisso da Academia com o desenvolvimento cultural e o legado artístico de Cabedelo